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Se uma emoção fosse a soma

De várias e pequeninas

Eu teria uma grande, enorme

Como um diamante

Que ruma ao carvão

 

Ter corpo para o prazer

Ter corpo para doer

Ter corpo para deitar

Ter corpo para sonhar

 

O conjunto do meu corpo

Quer ficar quieto e calar

Gotas de chuva a sonar

Tic-tac, tic-tac, tic-tac como o tempo

No relógio que não sabe precisar

                                                          14 de Outubro de 2008



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 18h55
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Quero beber da verdade

Matar a sede de saber

Não se vive da mentira

Equivale a envelhecer

 

O velho pouco se importa

Ao relatar o entardecer

Conta com detalhes

Suas histórias de prazer

 

Traições confessadas

São melhores em si mesmas

Devolvem certa dignidade

Ao traído – uma elegância

 

Quem traiu somente ganha

Alguma chance de confiança

Quando – dizendo a verdade

Despe-se de um manto e

Torna-se humano

Minimamente sensível...

 



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 18h45
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Há quanto tempo nada por dizer

Parece que palavra não carece

Nem escrita nem falada  - nada acontece

 

Uma paradeira cerebral

Um temor petrificante

Nenhum gesto ou movimento

Não há voz para que eu cante

 

Rimas já não divertem

Daquelas que brincamos tanto

Era nosso bálsamo ou encanto

Congelou em mim  ou ainda tem

 

Uma coisa curtinha já não vem

Ou as compridas que merecem

Também não tem com quem

Cadê você – meu bem ?

 

Vou morar perto

E já tenho endereço certo

Sem expectativa – lugar deserto

Sinto no peito um aperto

Morro logo e estará aberto

 

Vera Lúcia da Motta



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 18h49
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Saí um pouco da minha casa

Quando voltei não cabia mais nela

Tentei entrar pela janela

Também estava fechada

A porta trancada me deixou de fora

Agora vou viver no jardim

Lá estão todos os meus amores de raiz

Sob a terra molhada – minha mãe olha por mim!



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h18
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Lá se vão todos os meus segredos

minhas chaves - meus medos

Tudo que foi vivido parece revelado

Inclusive sua aparição ao meu lado

Quem é que não sabia

Que ficamos por um dia

Também - pouco importa

o quanto você veio à minha horta

porque minha casa nâo tem porta

A entrada e saída são vãos....

Pudesse dizer para alguém apenas uma palavra

Eu diria - Maria

E tantas entenderiam que não precisaria

Palavra alguma - ficaria um silêncio

Uma homenagem justa para quem quer paz!



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 21h48
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Todos os caras são apenas um

Procurei neles todos e esse um

Não chegou a meio

 

O do primeiro beijo

Me deixou saliva e só

A primeira transa me deixou hímem

O primeiro amor

Queria que eu não fosse virgem

E me machucou

 

O primeiro homem

Hoje é um menino

 

 

Quem me tocou e teve tudo

Tudo com ele levou

Hoje o romance jaz

Sob a terra e no céu jazz ou blues

Tem o amigo que comigo não ficou

Um outro canalha

Que me usou

De 60 anos, de 50, de 40 de 30 – todos

O que destoou que não tinha falo

Muito me falou

Hoje eu não ouço nada!

 

Vera Lúcia da Motta

Setembro de 2006

 



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 21h03
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                                                            Tradução por Regiane Rodrigues

Eles estão finalmente chegando a seu objetivo. Eles quem ? Aqueles que jogam de encontro (ou contra), como em um jogo de futebol.  Ganhando o jogo significa poder sobre algo que um faz  perfeitamente. Ganhe o objetivo!  Já é alguma coisa. Lembra dos primeiros dois (2) metros de caminhada? Você não provavelmente, e eu não tampouco, embora eu recordo minha filha. Eu recordo como forte e poderoso era olhando sua cara, porque estava ganhando a confiança, começando o contrapeso e indo para frente  e para cima. Estava andando pela  primeira vez. Este é o tipo do jogo que se vence sozinho sobre si mesmo.  Não há ninguém de encontro a ele. Mas há uma época em que as coisas mudam. Eu quero dizer,  os interesses entre povos trazem jogos perigosos, e aqueles que procuram o poder à excepção apenas de "andar", jogam o jogo para pôr para baixo povos, e em muitos casos para matá-los para uma razão ou outra. È comum entre povos ajustar seus objetivos quando em um jogo da competição, e naturalmente, para alcançá-los, para conseguir seus objetivos por todos os meios. Isso é triste na maioria das vezes. Pessoas morrendo, ficando  perdidas e sofrendo  por causa de serem perdedores. Quem está ganhando e o quê, ou quanto, e por  quanto tempo?   Horacio Pires

 



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 22h23
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                                                    uma pausa para quem merece!

O texto de Horácio Pires, nosso embaixador real planetário fala pelos que não falam!


"They are finally getting to their goal. Who they? Those playing against, as in a soccer game. Winning the game means power over something one does perfectly. Win the goal! That’s something. Remember the first 2 meters walk? You probably don’t, and I don’t either, though I remember my daughter’s. I remember how strong and powerful she was by looking at her face, as she was winning confidence, getting balance and going forwards and upwards. She was walking for the first time. This is the kind of game one wins alone over oneself. There is nobody against it. But there’s a time when things change. I mean, interests among people bring about dangerous games, and those looking for power other than just “walking”, play the game to put people down, and in many cases to kill them for one reason or another. It’s common among people to set their goals when in a competition game, and of course, to reach them, to achieve their goals by all means. That’s sad most of the times. People dying, getting lost and suffering because of being losers. Who is winning and what or how much, and for how long?"
                                                                                                   07/25/07 Horacio Almeida Pires
  
         



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 14h34
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Tantos discursos furados, em alguns acreditei e em outros não.  

Voltando à docilidade universal - será possível que um dia um filtro enorme consiga fazer vazar apenas a essência das coisas?

Entendo como essencial à doçura.   Não à meleca.  Detesto meleca - Nhã - Nhã - Nhã pra nada!

Contudo, o polimento é necessário para que sejamos mais que trogloditas.   Já que não é necessário, mentir, parto desse pressuposto, o mínimo de polimento deve-se ter até para poder comunicar.   Eu não entendo gritos!  Eu não entendo grosseria e estupidez - Parece-me que mesmo sendo muito sincero - ser grosseiro é mais ou menos como não se importar com a forma.  Não hipocrisia - contudo ater-se à uma determinada forma é ser cuidadoso, é importar-se com o que o outro sente ou a maneira como uma determinada coisa pode chegar-lhe ou não.   Com rispidez acho difícil comunicar qualquer coisa.

Hoje eu ouvi que as mulheres são mais educadas e polidas que os homens.  A natureza feminina, diferentemente da natureza masculina, tende a desenvolver a docilidade que entendo como necessária e essencial para o aprimoramento do espírito humano.

Conheci um homem muito doce.

Não enjoativo, contudo de uma docilidade firme - marcante.  Seus olhos tinham um brilho que eu só consigo reconhecer nos seus filhos e netos.  Acho que era um brilho hereditário.  Era um homem feliz.   Não era alegre, trazia no semblante uma espécie de sentimento de clemência.   Acho que ele sabia demais, ou, sentia demais, por isso seu olhar de clemência.

Uma pintora contemporânea – Selma Motta pintou um quadro que chamou de “clemência”.  Eu entendo bem o que ela quis expressar!

Que coisa estranha, pegar um papel e ficar escrevendo como quem pinta.  Apenas não dá pra descrever sem visualizar o olhar de clemência...

 

 

                                                  coisa - página 04

 

                                                            



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 21h54

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Muito interessante alçar esses vôos daqui diretamente para o infinito.

Posso, com certeza, viajar na cauda da baleia azul.

Tenho estado há observar o tempo.

Tanta gente boa que está partindo.  Morreram recentemente, Antônio Calado, Paulo Francis, Darcy Ribeiro, meu tio Osmar, o Betinho, Seu Antenor - meu sogro - a Princesa de Gales - Diana, o Seu João, vizinho, Madre Tereza de Calcutá, Maria Aparecida da Motta (minha mãe), João Cabral de Melo Neto, Xavantinho, Plínio Marcos, Norberto Alvessu, Covas, Cássia Eller, Celso Daniel, Itamar Assumpção – paro com as partidas aqui.

Nossa! Qualquer hora dessas eu também vou - por mais tempo que pareça ter - é muito pouco.  É já que vinte anos passam... é muito rápido.

Eu não queria morrer sem fazer uma coisa qualquer      que realmente fosse importante.

Pensei que ter filhos já fosse o mais importante, no mínimo já cumpri uma função.   Não que seja apenas isso, contudo parece muito.  Ainda mais que acho que minhas filhas são duas pessoas legais (e delas se farão mais!).

Falei da baleia azul e não dei seqüência.  A baleia azul representa, para mim, uma possibilidade de docilidade universal.   Apesar de ainda não saber nadar direito, o mar e seu sal possibilitam a sobrevivência dos seres na terra.

É na verdade ser verde, e é uma questão de espírito.  Sempre fui verde e nem sabia.   Consciência ecológica vai tão além do que os ecologistas preconizam.

Verde que te quero verde!  Comprei uma obra completa do Garcia Lorca (500 páginas ainda por ler)

 

                                                                       coisas -   página 03



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 21h13
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Escrito por Vera Lúcia da Motta às 20h12
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Será que o ponto de partida para colorir a vida não está mesmo dentro da gente?  Por mais que eu saiba que sim, parece que algo de fora precisa vir para motivar e detonar um botão.

Às vezes penso que esse algo pode ser uma coisa qualquer, corriqueira mesmo.   Um bom dia bem desejado que venha do frentista do posto de gasolina: “Bom dia doutora!”. Sei que, de fato, verdadeiramente, ele me deseja mesmo um bom dia.

A rotina pode até ser lúdica e divertida, contudo parece que a essência da alegria vem de outras coisas.

Antigamente eu tinha mania de achar que o amor por alguém é que dava o tal colorido pra vida.   Hoje sei que esse amor romântico é pura invenção!

Daí, lógico, dá pra inventar mil coisas!

Contudo, inventar também é difícil.

Fico a imaginar como teria sido a vida, se realmente um grande amor tivesse me acompanhado.

Será que alguém teria saco (ou não), de acompanhar as quedas: de dentes permanentes, de cabelo, dos peitos e da bunda, da barriguinha que era “inha” e agora esta ficando “ona”.   Pior, o humor pela manhã, além do gosto de “cabo de guarda-chuva”.  Mais, eu odeio o “roque-te-roque” no café da manhã, talvez por isso eu não o tome.

Meu Deus! Perdi a hora!

Hora de que?  Eu não marquei nada com ninguém!

Então eu posso ficar mais um pouco comigo mesma e deixar o corpo largado. Enquanto isso parece que a alma vagabunda, desenvolve seus vôos...

                                 

 

                                    coisas página 02



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 21h24
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Quantos sonhos são necessários para que possamos acreditar em alguma coisa... Talvez apenas um!

A vida não pode ser assim desbotada, deve haver uma maneira de reavivar as cores e trazer de volta um brilho com   o qual toda a vida vem ao mundo...

A vontade, senhora primeira, deve emanar de um ponto e é o que verdadeiramente procuro...

Contudo, parece que esse ponto fica escondido e por mais esforço que eu faça, mais difícil  fica  encontrá-lo.   Acho que  como ensina o “I Ching”, se o seu cavalo partiu, você deve esperá-lo, pois, se ele é realmente seu, deve voltar.  Se, ao contrário, você tenta correr atrás dele, mais ele se distancia.

Aquela estória do beduíno que está perdido no deserto. Ele e seu camelo.  Sabe-se que o camelo pode resistir sem beber água, por 18 horas.  Então ele se torna o relógio que marcará o tempo que resta para ambos.  Seguir viagem sem rumo, pode não dar em nada e levar à morte de ambos, contudo existe uma chance de encontrar o caminho.   Ficar parado pode também não dar em nada e levar à morte, contudo, existe uma chance de passar alguém que saiba o caminho e ser a salvação.  Parece que qualquer das escolhas leva às mesmas possibilidades.  Vai da natureza de cada um.

Eu, por exemplo, sempre fui de movimento.  Ficar parada, sempre foi para mim a própria sentença de morte.

Com o tempo, fui aprendendo a dominar os impulsos e agora tenho uma outra forma de lidar com as coisas da vida.  Coisas do tipo do cavalo que partiu ou do beduíno perdido no deserto.

Às vezes, ficar quietinha, guardando força e acumulando energia é a melhor das alternativas.  Não adianta mover-se a esmo como  mariposa em volta da lâmpada ( como diria Adoniram Barbosa ).

                                         

Primeira página – “Coisas”

em obras...última modificação 06/09/2005

para :   Sandra Motta - em prosa

 

 



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h10
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Pensa que não dói

Acordar de manhã cedo

E não ouvir a sua voz

 

Contudo, e, como tudo

Tem seus prós

 

Então contra é a falta

O frio, o vazio na cama

Mas a favor tem o próprio calor

O estar só em plenitude

 

Estar contigo implica em

Abrir mão de estar comigo

 

Às vezes sinto sua falta

Às vezes a minha

 

Parece, inclusive egoísmo

Não é!

 

Para a morte iremos sós

Melhor que gostemos da nossa

Própria companhia ...

 

 

                   Página 22 - Livro Vera Motta



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 23h57
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Irmãos Coragem

Nome de novela

Irmãos selvagens

Apurando suas imagens

Busca de quem é ele - quem são elas

Flechas, pedras, agulhas, farpas

Som incompatível  de harpa

Como se os anjos dissessem amém

 

O que o pai e a mãe desses irmãos viveram além

Talvez ela tenha engolido sapos e elefantes

Ele clamou para que ela fosse elegante

E ela só foi – quando ele se foi

 

Fragmentos de meninos e meninas:

Ela é maior que ele – contudo uma hora ele dispara

E quando ele, maior, disser pára

Talvez ela pare - com o andar da vida ele encolherá!

 

 

“domingo – pé de caximbo”

 12 de Agosto de 2.007

 

 



Escrito por Vera Lúcia da Motta às 23h29
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