Era uma vez um menino de quatorze anos, que vivia na roça e que até então não tinha usado sapatos. Usava uma alpargatas (uma sapatilha de pano e de corda que o povo da roça usava). Ele estava ficando mocinho e disse para a mãe que queria um par de sapatos de verdade. A mãe, uma pessoa muito simples que trabalhava de tudo quanto era jeito para dar conta de criar quatorze filhos e os netos que vieram cedo. Ao pedido do filho respondeu que pedisse ao pai - um homem bem mais velho que a mãe e com sensibilidade "zero", disse ao filho que aquilo era um luxo e não deu nenhuma importância. O menino que já trabalhava, desde os sete anos de idade, começando como ajudante de um sapateiro na colonia (lugar onde moravam pessoas em casinhas), depois na usina de açúcar, aprendera com os alemães a falar alemão, estudava por sua conta os livros que os alemães jogavam nas mãos dele. Tomou uma decisão: avisou a mãe e pegou suas poucas coisas e veio morar em São Paulo, mas exatamente em São Caetano do Sul, onde morava uma irmã casada. Chegando na cidade, procurou um emprego em uma firma de tratores e foi estudar à noite no SENAI. Aprendeu a falar inglês por sua conta e foi se dedicando e aprendendendo as coisas com a vida. Esse moço, aos dezoito anos, conheceu uma moça de quinze anos que acabara de chegar também de Minas Gerais com a família. A moça, por coincidência da vida, também pedira a seu pai um par de sapatos, pois, nunca os tinha usado por morar na roça. Essa moça, nasceu na roça e tinha seis irmãos. O pai tomava todas e saia pela roça matando um porcos para ganhar um troco e em seguida bebia tudo que ganhava. A mãe da moça trabalhava muito e tinha uma vaca que tinha ganhado da mãe dela. Todos quando estavam na roça, comiam uma vez por dia - à noite - leite com farinha de milho e só. Isso aconteceu até que ela tivesse sete anos de idade. Até que os irmãos cresceram e mudaram da roça para uma cidade próxima. Na cidade ela foi entender que existia café da manhã, almoço, janta, escova de dentes, tanta novidade. Com quinze anos a família vendeu o que tinha e veio morar em São Paulo - São Caetano do Sul. A moça ouviu do pai que ela deveria procurar algum par de sapatos no lixo, lá ela encontraria algum que talvez servisse. Ela foi procurar um trabalho e começou a trabalhar na Chocolate PAN, passando a ter seu salário, ajudar a mãe e comprar seu par de sapatos. Interessante que se conheceram e depois de cinco anos de namoro casaram-se. O nome do moço é Paulo da Motta e da moça Maria Aparecida da Motta. Tiveram cinco filhos e eu sou a filha do meio. Sempre observei a história deles e quando eu via o filme da Cinderela, o desenho ou o livro, eu ficava pensando nessa coisa do sapato. Fui estudar um pouco sobre o assunto. »Uma história que anda junto da humanidade.
Segundo dizem, a história dos sapatos começou em 10.000 a.C., no final do período Paleolítico – como relatam pinturas nas paredes das cavernas. Entre os egípcios, foram descobertas pinturas com cerca de 6 a 7 mil anos, que representavam os diversos estados do preparo do couro e dos calçados. As sandálias egípcias eram feitas de palha, papiro ou fibra de palmeira. Na Mesopotâmia, eram comuns sapatos de couro cru, amarrados aos pés por tiras, também, de couro cru. Os gregos chegaram a lançar moda, como a de usar modelos diferentes em cada pé. Em Roma o calçado indicava a classe social. Cônsules usavam sapato brancos. Senadores usavam marrons. Eram presos por quatro fitas pretas de couro, atadas a dois nós. Já o calçado tradicional das legiões era a bota de cano curto, que deixava os dedos descobertos. Na idade média, homens e mulheres usavam sapatos de couro abertos, semelhantes às sapatilhas. Eles também usavam botas altas e baixas, atadas à frente e ao lado. O material mais usado era a pele de vaca, no entanto, botas de qualidade superior eram feitas com pele de cabra. A padronização da numeração foi de origem inglesa. A primeira referência conhecida da manufatura do calçado naquele país é de 1642, quando o exército inglês recebeu 4.000 pares de sapatos e 600 pares de botas. Lá pelo meio do século XIX, surgiram máquinas para auxiliar na confecção dos calçados, mas só com a máquina de costura eles ficaram mais acessíveis. Então no século XX, mudanças começaram a acontecer com a produção, o que deixou o mundo dos calçados melhor a cada passo. Mas isso é assunto para futuros posts aqui no seu blog Queen Shoes. Até breve.
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 02h23
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As mãos frias e brancas me assustam Não posso entender ou acreditar que estarão mortas Morte e vida tem cor e temperatura A vida e a cura são cores e calores Então já não sei da cabeça e do coração Ela dói e ele bate... O que quer que seja que me mate Está tendo altos requintes... Dias seguintes e ainda estou fria e branca... viva As regras todas não servem pra nada, O que me aponta o bom é sono e som Então durmo e ouço a canção que diz que o que dá pra rir da pra chorar... Tantas vozes e tantos risos... hoje eu preciso viver... Viver em gozo e em êxtase-parece que esta fase é um desafio O zi fio me ajuda a segurar! 27.02.2010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 23h00
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A vida permeada de loucuras e dores Sustos e desatinos – doenças ou coisas do destino A palavra quer superar cicatrizes Meninas – doces atrizes Revelam pensamentos e diretrizes Tantas rimas e matizes E nem posso pintar o “bicho feio” Como em minha mãe veio E não há representação melhor Boa noite amiga – vamos chorar Boa noite amiga – vamos parar Boa noite amiga – o amor maior Aprendo todos os dias o significado Que tanto você passou nos recados Primeiro de janeiro de dois mil e dez Hoje algo maior se fez E fecho a década como um ano de cada vez... Vou contar mês a mês O que o tempo pode ensinar O amor maior nunca vai se apagar Enquanto suas flores me chamam a contemplar...
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 22h58
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Algibeiras e possibilidades Valores, pertences, documentos de identidade Junto ao corpo – quase uma segunda pele a lembrar a primeira O que se pode carregar sem que esteja nas mãos e não esteja exposto O necessário muitas vezes fútil para os outros É essencial segundo o critério mais íntimo Na infância precisamos das algibeiras para coisas que nem sabemos Meninos e meninas guardam coisas diferentes Um guarda necessidades, outro lazeres Homem e mulher podem inverter e um guardar lazeres onde o outro guardará utilidades Esquecidas coisas nos casacos de inverno Endereços, canetas, papel de bombom Quem sabe alguma moeda, um bilhete de metrô Uma chave que se esquece na algibeira de um casaco de inverno Simboliza que não é usada no verão... Chaves importantes são localizáveis em qualquer estação ou Há daqueles que perdem chaves de qualquer forma Talvez porque tenham portas abertas ... Escrevi no passado: Meu quarto não tem portas No lugar da porta tem um vão Pessoas entram e ficam o tempo suficiente Para encontrarem as portas que levam aos seus próprios quartos Os quartos das pessoas têm portas e chaves Já tive essas chaves no meu vão Não posso ter portas e chaves Sufocaria-me – fico aberta Na impressão de não conter nem guardar nada Os segredos todos estão nos vãos que ficam além das paredes Sou redonda e em movimento de espiral Sou um túnel sob a montanha Há luz antes e depois do túnel...
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 22h54
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Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter – não é o dinheiro, não são os aplausos – é a esperança de poder rir todos os risos e poder chorar todos os prantos Plínio Marcos
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 02h23
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Rainer Maria Rilke De Cartas a um Jovem Poeta Maio 14, 1904, Rome
Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos. A fusão com outro, a entrega de si, toda a espécie de comunhão não são para eles; são algo de acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana. Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida. (Dia dos pais - 14 de Agosto de 2011)
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 02h12
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Dia das mães Escrevi certa feita que o primeiro meio ambiente da gente é a barriga da nossa mãe. Fui parida e os meus partos me ensinaram a conter e ser contida, contar e ser contada. Quando estamos gerando filhos a anestesia natural nos leva ao estado de Graça... Mãe, pelo seu estado de graça, agradeço!
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h46
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O dia do Índio passou rápido como uma flecha Abril é sempre um mês de grandes datas Escrever sobre o descobrimento do Brasil Tiradentes, Cristo, Páscoa Quatro meses deste 2011 que eu não consegui acompanhar Muita confusão e guerra para pacificar Dentro de mim um mar para marejar Amores e amigos que aparecem Tento conferir a essência E tudo está como tem que estar Minha poesia vazia Como a minha barriga A cabeça dói Passei para dizer oi E nem falei e o tempo se foi...
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 02h55
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No ano passado como foi que passamos... Um pouco aqui, um pouco lá, Choveu. Sei que estivemos juntas Sei que você não poderia tomar chuva Sei que não coloquei cheiro na comida Sei que coloquei gosto azedo e fresco Sei que disfarçamos dores e pensamos no futuro Sei que pensamos em 2010 Sei que apenas metade valeu para uma coisa A outra metade foi abstração Não vou mais contar o tempo não! Vera 24/XII/2010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h45
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Será importante dizer que um dia Paulo Leminski Em carona que dei até a TV Bandeirantes, onde fazia um programa chamado "TV de Vanguarda" Junto com o Itamar Assumpção, meu amigo e compadre, Falaram pra danar na minha orelha O que deu na telha de cada um... Eu, pretensamente lúcida, Dei uma jóia ao Paulo - que a segurou, olhou e disse: é para mim? Eu disse sim! Tinha sido assaltada há minutos atrás... No banco de traz O maior e mais genial marginal do Planeta A falar o que veio na veneta E eu a presentear como é da minha natureza A jóia com duas meninas e uma gravação: Ana e Mariana Talvez alguém esteja com a jóia, ou não... Sei que ficou feliz e eu também Momentos que nas vidas dos envolvidos teve uma razão de ser... Nem me dei conta até hoje Que Paulo Leminski foi o marginal e Itamar outro Que escolhi para dar o que me foi caro e precioso na vida: meu trabalho e meu amor! 18 de Dezembro de 2010 Vera
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h13
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“Um homem bem falante não morre nunca” Homem bem apessoado, de fala tranqüila e de uma mansidão dos sábios, Fica na terra as marcar das mãos que lavraram a terra e as doou sem nenhum apego E doação mais complexa – a doação aos humildes do trabalho social, humano, das lições que não estão em livros... a caridade de cuidar de uma criança especial... Todos na cidade pararam para acompanhar a partida de Paulo... Sr. Paulinho... Lá no Passa-tempo, onde dizem que o tempo não passa Seu Paulinho também não passará – estará nas árvores, nas flores, nas calçadas e nos jardins Estará na varanda a contemplar os transeuntes – pronto para socorrer um pedinte ou um cão danado... Pronto para elaborar intimamente o valor de uma vida bem vivida. Um homem de paz, um homem de bem, um homem honesto, Sua semente através das gerações deixou uma neta Neta também de Dona Margarida – mulher aguerrida que também não passou batida... Nas histórias dos dois – a neta agrega o mundo que a cidade não comporta... Muitas portas e janelas vão ainda levar a semente ao seu destino Destino que por natureza se revela diverso e ainda mais belo O elo entre pessoas que resultam na mulher completa que jamais deixou de ousar As pessoas que a honram e a honrada mulher que guarda em si a memória de todas as dores Mas faz dela a receita de amor que já se espalhou mundo afora... Quando o corpo morre e vira pó – a poeira se espalha e volta à natureza onde todos nós estaremos – integrados pelos elos e sentimentos que não morrem nunca! 29 de Agosto de 2010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 01h09
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“A vaca mansa da leite A vaca brava dá se quiser” (Itamar Assumpção) Minha amiga querida Como somos vacas bravas – nosso leite é só quando queremos... Hoje não queremos dar leite algum Também nosso leite está como diria Djavan “Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar...” Vamos tirar leite de pedra e atirar as pedras com o leite Quem sabe acertamos quem temos que acertar...
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 00h35
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As mãos frias e brancas me assustam Não posso entender ou acreditar que estarão mortas Morte e vida tem cor e temperatura A vida e a cura são cores e calores Então já não sei da cabeça e do coração Ela dói e ele bate... O que quer que seja que me mate Está tendo altos requintes... Dias seguintes e ainda estou fria e branca... viva As regras todas não servem pra nada, O que me aponta o bom é sono e som Então durmo e ouço a canção que diz que o que dá pra rir da pra chorar... Tantas vozes e tantos risos... hoje eu preciso viver... Viver em gozo e em êxtase-parece que esta fase é um desafio O zi fio me ajuda a segurar! 27.02.2010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 01h16
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Doce de coco ou gatinha, Apelidos de irmã – modos de pai e mãe... Em você se concentra toda a força que uma mulher pode ter Não há qualquer que se compare A beleza escondida dos outros e revelada no espelho Os olhos para que tomassem conta Enxergam além da tarde laranja e lilás De volta às suas mãos não os perca Veja que é em você que está seu lugar Aliás, conto com o seu lugar para morar Qualquer hora dessa a eternidade nos carrega E eu vou para onde você for, sei que lá tem amor, cores e um mundo macio Onde poderemos nos jogar! 27 de Abril de 2.010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 23h40
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A vida permeada por loucuras e dores Sustos e desatinos – doenças ou coisas do destino A palavra quer superar cicatrizes Meninas – doces atrizes Revelam pensamentos e diretrizes Tantas rimas e matizes E nem posso pintar o “bicho feio” Como em minha mãe veio E não há representação melhor Boa noite amiga – vamos chorar? Boa noite amiga – vamos parar? Boa noite amiga – o amor maior Aprendo todos os dias o significado Que tanto você passou nos recados Primeiro de janeiro de dois mil e dez Hoje algo maior se fez E fecho a década como um ano de cada vez... Vou contar mês a mês O que o tempo pode ensinar O amor maior nunca vai se apagar Enquanto suas flores me chamam a contemplar... Vera/02/01/2010
Escrito por Vera Lúcia da Motta às 23h50
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